Thursday, March 01, 2007
A Saga de Tommy Bolin

Há muito tempo que eu queria escrever algo sobre Tommy Bolin. Uma tarde dessas, ouvindo vários dos trabalhos que Bolin gravou, resolvi dar uma olhada na internet em busca de uma página de fã ou algo parecido. Foi então que descobri, para minha imensa satisfação e surpresa (porque Bolin é praticamente um guitarrista esquecido), o “Tommy Bolin Archives”. Trata-se de um excelente website com muita coisa interessante sobre o cara (fotos, entrevistas, sons, vídeos, críticas de álbuns, etc). Descobri também que, em dezembro passado, fez 30 anos da morte de Bolin.
Tommy Bolin foi um guitarrista único e um dos grandes talentos de sua época. Bolin talvez tenha sido o primeiro guitarrista completo da história da música. Isso pode ser conferido nos mais variados projetos dos quais ele participou. Além de tocar em bandas de rock tradicional e hard rock da época (como Zephyr, James Gang, Moxy e Deep Purple), Bolin também gravou o sensacional álbum de jazz-rock “Spectrum” de Billy Cobham (ex-Mahavishnu Orchestra), “Mind Transplant” de Alphonse Mouzon (ex-Weather Report) e ainda fez parte da banda do grande bluesman Albert King. Bolin transitava facilmente pelos mais variados estilos musicais: hard rock, blues, funk e jazz. Creio que não havia um guitarrista assim na época; alguém que fosse capaz de ser requisitado, respeitado e admirado por tantos músicos das mais variadas tendências.
Boa parte da riqueza de estilos da formação musical de Bolin pode ser conferida nos seus dois excelentes álbuns solo (“Teaser” e “Private Eyes”) e no magnífico álbum do Deep Purple “Come and Taste the Band”. Os trabalhos solo de Bolin são uma compilação de todos os estilos musicais pelos quais ele transitou, com músicas densas, criativas, muito variadas e nem sempre de fácil assimilação. Mas talvez o mais importante trabalho de Bolin tenha sido “Come and Taste the Band”. Isso porque foi certamente o maior desafio da sua carreira. Bolin substituía (o supostamente insubstituível) Ritchie Blackmore. Até então Blackmore parecia ser a alma do Purple. Quando ele saiu, poucos acreditavam que a banda pudesse sequer continuar. Mas Bolin não só substituiu Blackmore à altura, como foi muito além do esperado. Ele fez algo que Blackmore jamais foi capaz de fazer. “Come and Taste the Band” é o álbum mais rico de toda a história do Purple. Bolin acrescentou elementos de jazz e funk, além de ter acentuado a influência blues do Purple (sobretudo com a magistral técnica de slide que Bolin possuía); algo nunca visto antes ou depois na história da banda. O mais curioso, porém, é que, ainda assim, o álbum soa Deep Purple (prova da importância de Lord e Paice na constituição da estética musical da banda). É um álbum que sempre me surpreende a cada vez que eu o escuto. Grande parte disso deve-se à magnífica contribuição de Bolin.
Bolin fez tudo isso até a surpreendente idade de 25 anos. Lamentavelmente, por conta do consumo exagerado de drogas, a carreira de Bolin foi abruptamente interrompida. Sua história é uma das mais dramáticas do rock. O absuso de drogas já vinha custando caro a Bolin. Ele perdeu um contrato com a gravadora, teve reduzido seu orçamento para gravar “Private Eyes”, além de ter sido expulso do Deep Purple (supostamente pelo lendário incidente do braço paralizado de Bolin, resultado de um pico mal dado, que prejudicou em muito a tour japonesa de 1975 do Purple, considerada por muitos um fiasco). Mas o pior ainda estava por vir: a tour de promoção de “Private Eyes” foi cancelada pela gravadora porque as performances de Bolin ao vivo (como guitarrista e vocalista) não eram confiáveis. Ninguém mais acreditava que Bolin pudesse ter uma carreira séria. Foi quando ele contou com a ajuda de Jeff Beck, que concordou que Bolin abrisse alguns shows para ele. Bolin então seguiu com sua banda de estrelas (banda que ele mal podia pagar) para Miami, para uma série de apresentações com Beck. As performances vinham sendo bem recebidas, convincentes (embora haja controvérsias!). Bolin estava aparentemente disposto a apagar sua imagem de junkie. No dia 3 de dezembro de 1976, após mais um show, um Bolin bem disposto e risonho posou para fotos com Jeff Beck. Infelizmente, seriam as suas últimas. Depois da sessão de fotos, Bolin seguiu para seu hotel, onde promoveu uma festinha noite adentro. Na madrugada, Bolin passou mal. Mas sua namorada, roadies e segurança resolveram não chamar uma ambulância ou levá-lo ao hospital, temendo que isso pudesse chamar a atenção da imprensa e, assim, acabar de vez com a reputação já muito combalida de Bolin. Eles pensaram que fosse só mais uma chapação, como as muitas outras de Bolin. Estavam errados. Em 4 de dezembro de 1976, Tommy Bolin morreu de overdose de uma mistura de álcool, cocaína, heroína, lidocaína, morfina, etc.
A foto acima é o último registro de Bolin, poucas horas antes de morrer.
Tommy Bolin foi um guitarrista único e um dos grandes talentos de sua época. Bolin talvez tenha sido o primeiro guitarrista completo da história da música. Isso pode ser conferido nos mais variados projetos dos quais ele participou. Além de tocar em bandas de rock tradicional e hard rock da época (como Zephyr, James Gang, Moxy e Deep Purple), Bolin também gravou o sensacional álbum de jazz-rock “Spectrum” de Billy Cobham (ex-Mahavishnu Orchestra), “Mind Transplant” de Alphonse Mouzon (ex-Weather Report) e ainda fez parte da banda do grande bluesman Albert King. Bolin transitava facilmente pelos mais variados estilos musicais: hard rock, blues, funk e jazz. Creio que não havia um guitarrista assim na época; alguém que fosse capaz de ser requisitado, respeitado e admirado por tantos músicos das mais variadas tendências.
Boa parte da riqueza de estilos da formação musical de Bolin pode ser conferida nos seus dois excelentes álbuns solo (“Teaser” e “Private Eyes”) e no magnífico álbum do Deep Purple “Come and Taste the Band”. Os trabalhos solo de Bolin são uma compilação de todos os estilos musicais pelos quais ele transitou, com músicas densas, criativas, muito variadas e nem sempre de fácil assimilação. Mas talvez o mais importante trabalho de Bolin tenha sido “Come and Taste the Band”. Isso porque foi certamente o maior desafio da sua carreira. Bolin substituía (o supostamente insubstituível) Ritchie Blackmore. Até então Blackmore parecia ser a alma do Purple. Quando ele saiu, poucos acreditavam que a banda pudesse sequer continuar. Mas Bolin não só substituiu Blackmore à altura, como foi muito além do esperado. Ele fez algo que Blackmore jamais foi capaz de fazer. “Come and Taste the Band” é o álbum mais rico de toda a história do Purple. Bolin acrescentou elementos de jazz e funk, além de ter acentuado a influência blues do Purple (sobretudo com a magistral técnica de slide que Bolin possuía); algo nunca visto antes ou depois na história da banda. O mais curioso, porém, é que, ainda assim, o álbum soa Deep Purple (prova da importância de Lord e Paice na constituição da estética musical da banda). É um álbum que sempre me surpreende a cada vez que eu o escuto. Grande parte disso deve-se à magnífica contribuição de Bolin.
Bolin fez tudo isso até a surpreendente idade de 25 anos. Lamentavelmente, por conta do consumo exagerado de drogas, a carreira de Bolin foi abruptamente interrompida. Sua história é uma das mais dramáticas do rock. O absuso de drogas já vinha custando caro a Bolin. Ele perdeu um contrato com a gravadora, teve reduzido seu orçamento para gravar “Private Eyes”, além de ter sido expulso do Deep Purple (supostamente pelo lendário incidente do braço paralizado de Bolin, resultado de um pico mal dado, que prejudicou em muito a tour japonesa de 1975 do Purple, considerada por muitos um fiasco). Mas o pior ainda estava por vir: a tour de promoção de “Private Eyes” foi cancelada pela gravadora porque as performances de Bolin ao vivo (como guitarrista e vocalista) não eram confiáveis. Ninguém mais acreditava que Bolin pudesse ter uma carreira séria. Foi quando ele contou com a ajuda de Jeff Beck, que concordou que Bolin abrisse alguns shows para ele. Bolin então seguiu com sua banda de estrelas (banda que ele mal podia pagar) para Miami, para uma série de apresentações com Beck. As performances vinham sendo bem recebidas, convincentes (embora haja controvérsias!). Bolin estava aparentemente disposto a apagar sua imagem de junkie. No dia 3 de dezembro de 1976, após mais um show, um Bolin bem disposto e risonho posou para fotos com Jeff Beck. Infelizmente, seriam as suas últimas. Depois da sessão de fotos, Bolin seguiu para seu hotel, onde promoveu uma festinha noite adentro. Na madrugada, Bolin passou mal. Mas sua namorada, roadies e segurança resolveram não chamar uma ambulância ou levá-lo ao hospital, temendo que isso pudesse chamar a atenção da imprensa e, assim, acabar de vez com a reputação já muito combalida de Bolin. Eles pensaram que fosse só mais uma chapação, como as muitas outras de Bolin. Estavam errados. Em 4 de dezembro de 1976, Tommy Bolin morreu de overdose de uma mistura de álcool, cocaína, heroína, lidocaína, morfina, etc.
A foto acima é o último registro de Bolin, poucas horas antes de morrer.
